Nº 14 - 16/06/2008
Mais projetos em 2008
O ano de 2007 terminou com um desempenho macroeconômico bastante auspicioso para o Brasil. Isto, apesar das fortes turbulências na economia mundial provocadas pela crise das hipotecas no mercado imobiliário norte-americano, o denominado "subprime", que arrastou ao prejuízo boa parte das maiores instituições financeiras internacionais.

Nosso país, porém, resistiu bravamente à crise, revelando a realidade de fundamentos econômicos vigorosos – reservas em alta, contas correntes superavitárias e inflação controlada. Esse cenário, que favoreceria em tese o investimento do governo federal nas obras integrantes do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), não foi melhor aproveitado, no entanto, por uma razão simples: faltaram planejamento e os necessários projetos para embasar a contratação e a execução desses empreendimentos públicos.

O Sinaenco, porém, vem sendo há tempos uma voz de alerta para a sociedade e os governantes sobre a necessidade premente de resgatarmos o planejamento, o orçamento e o cronograma, que permitem contratar projetos executivos com a necessária antecedência e, assim, licitar obras cujo custo, prazo de execução e qualidade final tendem a ser asseguradas. O setor de arquitetura e engenharia consultiva (A&EC) espera que finalmente os administradores públicos – nos níveis federal, estaduais e municipais – tenham eliminado esse gargalo e passem a executar o planejado neste ano de 2008, que já promete ser um dos melhores das últimas décadas para a cadeia produtiva da construção, tanto pelas obras públicas como pelo impulso dado ao mercado imobiliário.

Estádios
O planejamento, como ficou evidenciado em 2007 pelas dificuldades de levar à prática as obras do PAC, é uma disciplina que deve ser restaurada nos mais diversos segmentos da administração pública. Nosso sindicato procurou dar sua contribuição nesse sentido, como vem fazendo insistentemente nos últimos três anos, pelo menos, quanto à necessidade de manutenção de equipamentos públicos, ao realizar um amplo estudo sobre a situação de 27 estádios de 17 capitais e de Santos – SP. Este trabalho de fôlego teve grande repercussão pública, amplificada por uma tragédia – a queda de parte da arquibancada do estádio da Fonte Nova, em Salvador –, previsível até mesmo antes da divulgação do relatório da Comissão do Sinaenco. A lição é que há necessidade de os administradores públicos tomarem decisões que, mesmo parecendo impopulares para o torcedor comum, são necessárias para evitar acidentes, muitas vezes de graves proporções. Nesse sentido, é importante recordar a decisão do atual secretário estadual de Habitação e presidente da Companhia de Desenvolvimento Habitacional e Urbano do Estado de São Paulo (CDHU), Lair Krahenbül, quando este era secretário da Habitação da capital paulista e, como tal, responsável pelo Contru, órgão da Secretaria que cuida da fiscalização de edificações quanto à segurança, entre outros itens. Krahenbül interditou os estádios do Pacaembu e do Morumbi por razões de segurança, obrigando os grandes clubes da capital a levarem seus jogos para Presidente Prudente, no extremo oeste paulista. Eis um exemplo que deve ser seguido.

Enaenco
Seguindo na linha de discutir as questões que exigem atenção das autoridades, do meio técnico da arquitetura e da engenharia e da sociedade, o Sinaenco realizou em novembro último, em São Paulo, o 8º Enaenco, sob o tema "Copa 2014: Brasil antes e depois". Na abertura do evento bienal, o ministro Orlando Silva, do Esporte, elogiou a iniciativa do Sindicato, ressaltando a importância de se pensar com antecedência no principal evento do esporte mundial, que nosso país sediará em 2014. E a ministra Marta Suplicy, do Turismo, concordou com a tese defendida pelo setor de A&EC de que o planejamento da Copa 2014 é essencial, com um dado importantíssimo: de acordo com a ministra, países que sediam copas do mundo de futebol e investem planejadamente, obtêm um crescimento equivalente ao que seria conquistado em 50 anos. Eis portanto a nossa grande chance, e que não deve ser desperdiçada. O setor de arquitetura e engenharia consultiva brasileiro já mostrou que tem competência, capacidade e know-how para ajudar o país a enfrentar mais esse desafio.

Um feliz 2008 a todos!

José Roberto Bernasconi
Presidente do Sinaenco


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