O ambiente exige respeito
18-06-2008
Há 35 anos, quando foi construída a primeira pista da Rodovia dos Imigrantes, na Serra do Mar, em São Paulo, as obras envolveram grande movimentação de terra, cortes agressivos e a derrubada de amplas áreas de mata nativa. A segunda pista da mesma estrada, 30 anos depois, foi quase inteiramente feita em túneis, com mínimo impacto ambiental, e levou a concessionária Ecovias a receber a certificação ISO 14000, de qualidade ambiental. Três décadas foram necessárias para que a arquitetura e a engenharia incorporassem o conceito de adequação ambiental a seus projetos e obras. Mesmo assim, ainda persiste no Brasil um certo discurso que contrapõe o desenvolvimento da infra-estrutura física e a preservação do meio ambiente, lamenta José Roberto Bernasconi, presidente do Sinaenco.
"Qualquer empreendimento, público ou privado, seja na área de transporte, saneamento ou energia, exige como primeiro passo a elaboração de um projeto, que é responsabilidade das empresas de arquitetura e de engenharia consultiva. E é no momento do projeto que os eventuais riscos ao meio ambiente podem ser previstos, permitindo escolher a opção que encerre menor impacto", explica Bernasconi.
Segundo o engenheiro, essa tarefa envolve equipes multidisciplinares, formadas por biólogos, geógrafos, geólogos, zoólogos, antropólogos, sociólogos etc., que estudam todas as soluções possíveis, basicamente com três abordagens. Pode-se evitar agredir o meio ambiente estudando alternativas que preservem espécies animais e vegetais, ou as comunidades tradicionais, como indígenas e quilombolas. Se os impactos são inevitáveis, o que ocorre em alguns casos, a solução é mitigá-los. E, quando nem isso é possível, os impactos devem ser compensados. Evitar a agressão ambiental, minimizar as conseqüências da intervenção física ou compensar o impacto causado, tudo isso pode e deve ser dimensionado na fase de projeto.
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