R$ 3 bi para a Copa: é um bom começo, mas faltam projetos
27-07-2009
O governo federal anunciou na semana passada que R$ 3 bilhões já estão garantidos para os investimentos em obras da Copa 2014. Também mais adiante será lançado um pacote de obras, intitulado PAC da Copa (Programa de Aceleração do Crescimento), informou o ministro das Cidades, Márcio Fortes. Este recurso é apenas para começar, esclareceu o ministro. Segundo ele, falta ainda uma avaliação sobre o total dos projetos. Mas acrescenta que os investimentos como um todo só serão definidos após o governo se reunir com os prefeitos das cidades-sede dos jogos para saber quais as prioridades de cada local. O anúncio foi confirmado na entrevista concedida pelos ministros Fortes e Orlando Silva (Esporte) na quarta-feira, dia 22 de julho, à Radiobrás.
Estes R$ 3 bilhões são provenientes do programa Pró-Transporte, que emprega recursos do FGTS. O objetivo, disse o ministro, não é resolver todos os problemas de mobilidade nas cidades, mas solucionar aqueles relativos exclusivamente à realização do evento, explicou Fortes. Fatores como a sustentabilidade dos investimentos após o final da competição também serão considerados, o que garantirá que as obras sejam úteis também depois que terminado o campeonato mundial.
Já o PAC da Copa, afirmou o ministro, deve prever parcerias com prefeituras e governos dos estados, assim como com o setor privado. Ele lembrou que já faz parte das ações preparatórias para a Copa do Mundo a abertura de uma linha de financiamento, com recursos do FGTS, para a renovação da frota de ônibus em todo o país, uma decisão tomada há cerca de dois meses. A linha será operacionalizada pela Caixa Econômica e terá valor de R$ 1 bilhão. "Nosso objetivo é disponibilizar capital de giro para a renovação da frota", declarou.
Faltam projetos, diz Bernasconi
Para o presidente do Sinaenco, José Roberto Bernasconi, "o recurso anunciado pelo governo, sendo para começar, é válido". "Mas não devemos esquecer que já estamos atrasados para a Copa", acrescenta o dirigente do Sinaenco. Assim, diz ele, cresce a importância da participação do governo e da organização do comitê interministerial que vem sendo criado para coordenar o evento.
No caso do Ministério das Cidades, questões como habitação, mobilidade, desenvolvimento urbano e outras deverão estar na pauta das 12 cidades-sede. E ouvir os prefeitos é o mais correto, defende Bernasconi. "Fundamental neste processo", esclarece, "é listar, organizar o rol de necessidades de cada cidade e região metropolitana, para então poder qualificar, entender o que é de fato prioritário". Segundo Bernasconi, ao governo caberá coordenar, gerenciar todo o processo, a começar pelo planejamento da contratação dos projetos, e estes precisarão ser bem detalhados, completos. "Só assim fornecerão elementos, como os quantitativos do projeto, que ajudarão na licitação das obras", reforça o presidente do Sinaenco.
Copa exige R$ 80 bilhões
Como observa Bernasconi e o próprio governo, R$ 3 bilhões é só um começo... Prefeituras e governos estaduais das doze cidades-sede calculam que as obras de preparação do Brasil para a Copa de 2014 chegará a quase 80 bilhões de reais, mais exatamente R$ 79,4 bi. Esse montante, com dados aferidos pelo portal G1, envolve desde a construção e reforma de estádios até a instalação de linhas de metrôs, bondes, ônibus, obras de saneamento básico e várias outras.
O maior investimento vem de São Paulo; nada menos do que R$ 36,44 bilhões, nos próximos cinco anos. Em seguida, aparece Fortaleza, com R$ 9,4 bihões, Porto Alegre (R$ 6 bi), Rio de Janeiro (R$ 5,9 bi) e Curitiba (R$ 4,9 bi). As informações, segundo a fonte, não foram detalhadas pela maioria dos governos, podendo ser consideradas projeções de gastos, já que a maioria dos projetos ainda não chegou à fase executiva.
Embora o governo federal ainda não tenha uma avaliação de gastos para o Mundial de 2014, o ministro do Esporte já assegurou que Brasília somente liberará recursos para obras que tragam benefícios sociais para as cidades-sede.
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